domingo, 29 de abril de 2018

Las Vegas, Britney Spears e a melhor noite da minha vida

          Uma viagem internacional sempre me pareceu um sonho muito distante, quase inalcançável. A gente sempre tem o sonho de conhecer os lugares que vê nos filmes, nas séries, que ouve falar etc e tal, mas daí a realmente se movimentar pra ir parecia utopia. A vontade sempre existiu, mas ela estourou dentro de mim quando minha cantora favorita resolveu fazer residência em Las Vegas. Britney Spears assinou um contrato milionário de dois anos, que se transformaram em quatro. Eu sempre soube que era a chance da minha vida. Bastava ter foco, juntar uma grana e escolher uma data. Meu objetivo sempre foi o meet & greet, feito antes de todo show. Se não conseguisse pra um, tentaria pra outro. O que eu não sabia era o quão difícil tudo isso ia ser. Muito mais do que eu poderia imaginar.
          Eu tenho uma amiga que mora em Los Angeles, e esse anjo, também conhecido como Anna Duzzi, me ajudou a providenciar todas as coisas. Desde GRU do passaporte ao preenchimento da ficha da entrevista do visto.
          Antes das coisas darem certo, tudo deu errado de diversas maneiras. Se não fosse o incentivo que tive do que eu chamo de ''pessoas-chave'' essa viagem não teria acontecido. E a minha persistência também, é claro.

          Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Los Angeles, o LAX, eu já estava fora do chão. Um pouco antes, na fila pro embarque na conexão da Costa Rica, fiz amizade com um cara dono da empresa que fez as camisas que o time do Neymar usa (?) e ele me pagou uma água. Ali eu já começava a dar meus pulos pra conhecer o máximo de coisas novas que eu pudesse. Me vi incrivelmente paralisado. Desembarcando, inglês pra todo lado, corredores e corredores até a porta da frente e nada da minha amiga. Uma luta com o sinal do wi-fi pra localizá-la e ver, de longe, aquela cabecinha loira segurando uma plaquinha escrito bem grande ''Zero''. É que ela estava fazendo uma contagem regressiva na minha linha do tempo do facebook até o dia em que iríamos nos reencontrar. Ali eu já tava tremendo pra caralho. Sérgio chegou num puta carro e já fomos pro primeiro rolê. Eu queria ir em todos os lugares. Vamo, vamo. Não quero dormir.


• O letreiro de Hollywood e o observatório Griffith
          Nosso primeiro destino, depois de uma pizza maravilhosa e algumas lanchonetes. Partimos, Sérgio e eu, para o letreiro. Só de andar pelas ruas e rodovias era como estar num filme. Era como estar em vários filmes de uma só vez. Quis recriar algumas cenas, mas no anseio de fazer tanto, algumas coisas ficaram para a próxima (I'm sorry, Luciana Gimenez).
          Fomos em direção ao Griffith Observatory. O observatório proporciona uma jornada ao descobrimento do surgimento do universo. Ilustrações, esculturas, hologramas e diversas outras tecnologias contam sobre o início de tudo. Existem várias salas simulando vários fonômenos astronômicos. Eu me encantei com a sala onde tem uma lua gigante em rotação, passando pelas casas do zodíaco, pelas fases da lua, iluminando e escurecendo. Uma outra sala permite que você marque um local e veja seu reflexo aproximado na superfície de uma mesa redonda em baixo.
          Passando por um corredor gigante com toda a evolução dos bilhões de anos do universo, em ordem crescente, você chega num salão com os planetas expostos por esculturas enormes e suas respectivas informações abaixo. Tem até uma balança pra saber quanto você pesa em cada um deles.
          Eu tirei DEZENAS de fotos nesse lugar, mas meu cartão de memória deu um problema sinistro e me fez perder todas. As poucas que salvaram, foram tiradas no celular do Sérgio.
          Na frente do observatório foi onde tirei a primeira foto em frente ao letreiro de Hollywood. Saindo de lá, fomos percorrer a trilha nas montanhas até chegar bem perto. Não cumprimos a trilha toda porque tínhamos horário pra encontrar a Anna, mas a mais de meia hora de caminhada proporcionou fotos mais de perto e uma vista do caralho.
          A noite foi de Hollywood & Vine e calçada da fama. Chegando lá, acabava de acabar um award. Parte da rua estava interditada, com estruturas AINDA MONTADAS. Como parte da rua estava interditada, não pude tirar uma foto na estrela da Britney, que era um dos objetivos. As ruas estavam lotadas de gente e pra onde quer que eu olhasse tinha alguma coisa acontecendo. Grupo de gente se apresentando, cantando ou dançando. Muitas luzes, muito barulho. Passamos em frente a um teatro e vários trailers de filmes estavam sendo reproduzidos na parede da fachada inteira, GIGANTE. Várias pessoas paradas assistindo. Cada lado que eu olhava me encantava mais.



• Las Vegas e a preparação para a Piece Of Me
          Com passagem de onibus comprada, estava pronto pra encarar 5 horas de viagem de Los Angeles para Las Vegas a caminho do Planet Hollywood. Qual não foi minha surpresa quando Anna e Sérgio me disseram que Anna conseguiu mexer na escala do trabalho e iríamos JUNTOS pra lá. A viagem da minha vida seria, agora, muito mais completa porque eu realmente poderia dividir isso com dois dos meus melhores amigos no mundo. Tenho dificuldades de processar todos os acontecimentos desse dia porque: MELHOR DIA DA MINHA VIDA.
          Na estrada, passamos pelo deserto e tiramos várias fotos em alguns pontos de parada. Deserto é uma coisa linda pra caralho!
          Ao chegar em Vegas, Sérgio fez uma live no facebook mostrando os lugares da rodovia principal. Eu fiquei deslumbrado demais! Os cassinos, os hotéis, todos os pontos turísticos são um sonho, de fato. Descemos, comemos, tiramos um milhão de fotos por letreiros e pontos. Britney é, comprovadamente, a dona de Las Vegas. A mulher está por todo lado! Outdoor com anúncio dos shows, telão gigante passando cenas do show, carro na rua com o cartaz gigante anunciando as datas, paredes e postes com fotos promocionais. Me senti no paraísoney ♥
          Entrar no Planet Hollywood foi uma das coisas que mais me marcou. Estar lá, realmente. Eu não sei, é muito louca a sensação de passar anos vendo fotos, vídeos e tudo sobre um lugar e então simplesmente estar lá. Todas as luzes, as cores, as portas (!!!) e o tamanho daquele lugar, bicho. Um cassino com direito à t u d o. Jogamos numa máquina da Britney e Anna ganhou. A música começou a tocar alto, tudo começou a piscar chamando a atenção de todo mundo. Estamos ricos! Os números não paravam de rolar. Quando pararam, 16 dólares. Rimos muito.
          Levei meus documentos na mesa do check in do show e a menina me deu duas pulseiras e explicou. Uma era para o show e a outra para o meet & greet. Todos os dias as pulseiras do meet mudam de cor, para evitar qualquer tipo de fraude. A organização é super sinistra. Além disso, marcam um horário para encontrar antes do show acontecer. Formam fila e vem um segurança com todos os nomes conferir quem vai entrar. Ainda estava cedo, então depois de pegar as pulseiras e os ingressos, fomos dar mais uma volta. Voltei no carro pra escrever a carta que eu ia entregar pra Britney. Eu tinha planejado um outro presente. Um chibi dela com os filhos, mas o cara que faz pisou na bola diversas vezes e não me entregou a encomenda a tempo. Optei pela carta, então. Já havia rascunhado durante a viagem no deserto, só precisava passar a limpo. Foi o tempo certinho de fazer isso e voltar pra já encontrar o lugar repleto de gente vestida com as roupas mais icônicas da carreira de Spears. Tinha uma cover idêntica a ela, que também ia no meet. Nessa hora meu coração disparou e comecei a tremer porque estava tudo ficando real. Já tinha me separado da Anna e do Sérgio, afinal eles não iriam no show. Enquanto aguardava do lado da máquina dela, ouvi duas pessoas falando português. Não é possível, pensei. Era, sim! Dois brasileiros. Felipe e Jéssica estavam conversando muito entusiasmados por terem encontrado outro brasileiro. Me aproximei e gritamos de novo. 2 minutos e Paulo, um quarto brasileiro, surgiu. Gritamos de novo! Dali em diante formamos nosso squad e fizemos tudo juntos.
          Pouco antes da checagem dos nomes, percebi que havia esquecido meus ingressos no carro, enquanto escrevia a carta. Eram dois ingressos, um do lugar e um do merchandising, uma das vantagens do pacote do meet. Dava direito a um poster autografado e uma credencial vip. Entrei em desespero e corri na mesa do check in vip. Um anjo chamado Rachel, QUE ESTAVA VESTIDA DE ZOMBIE BRITNEY BABY ONE MORE TIME, teve toda a paciência e dedicação do mundo em entender meu inglês aflito e, com muito custo, conseguiu achar meus dados e reimprimir o ingresso. Mas o do merchandising não tinha como. Fiquei triste, porém aliviado. Voltei pro meu squad na hora em que o segurança conferiu os nomes e outro problema com meus dados. Isso porque comprei no cartão da Anna, então tudo saiu no nome dela.


• O backstage tour e Felicia Culotta
          Passamos por um detector de metais e, ao entrar pelas portas de vidro, Felicia Culotta nos esperava. Felicia é assistente pessoal da Britney desde o início de sua carreira. É também amiga pessoal da família. Pra quem é fã e acompanha a carreira da Britney, é inevitável já não nutrir um sentimento carinhoso por ela. Acostumados a vê-la nos documentários, dvd's e até num clipe, os fãs a consideram uma mãezona. Mas Fe faz por merecer o título. Ao nos recepcionar, ela se apresenta e diz as regras. Nada demais. Basicamente temos de nos comportar bem, sem tocar ou derrubar coisas, sem histeria e tal. Não é permitido fotografar, o que é uma pena pois caminhamos pelo palco e por todo o teatro. Vimos coisas belíssimas que ficam só na memória.
          Felicia faz a tour contando a história do teatro, da origem do nome, de como escolheram esse lugar e todas as reformas que passou para receber o show da Britney. Conta que são pouco mais de 80 pessoas na equipe por trás do show, 16 dançarinos, além de vários detalhes técnicos de luz, som e vídeos. É uma sensação INDESCRITÍVEL caminhar pelo palco, pelos corredores atrás dele. Ver onde os dançarinos se arrumam, entrar no camarim da Britney e ver várias roupas. Felicia conta inúmeras curiosidades. Nesse momento, tirei duas fotos com ela e mostrei uma foto que tiramos em 2011, quando ela veio ao Brasil na Femme Fatale Tour. Ela perguntou aonde ela estava e eu disse que no Mc Donalds. Ela abaixou a cabeça rindo e todos rimos juntos. Falei com ela que havia perdido meu ingresso do merchandising e ela disse pra eu não me preocupar que ela garantiria que eu receberia tudo.
          Das curiosidades. Felicia contou como aconteceu de participar do clipe de ''...Baby One More Time''. Britney escreveu, ela mesma, o roteiro do clipe. Queriam algo bem infantil no estilo Power Rangers e ela disse não, disse que tinha que ser algo voltado ao público da idade dela. Felicia disse que o script original escrito a mão da Britney está em exposição no Hollywood Hall of Fame, em local conservado para as páginas não amarelarem e tal. Contou que quando o videoclipe estreiou, as duas estavam num quarto de hotel juntas e assistiram várias vezes pulando de uma cama pra outra muito felizes com o resultado. Fe mostrou os elementos do show e contou que as asas que Britney usa em Everytime foram desenhadas pelo designer da Victoria Secret's, que abriu uma exceção para fazer isso exclusivamente pra Britney. Tem centenas de cristais swarovski. E que, ao contrário do que costumam imaginar, ela não está pendurada enquanto voa, mas sentada. Nesse momento ela abre uma das asas e mostra um assento com sustento para encostar. Ela disse que os elementos reaproveitados de outras turnês são alguns banquinhos circenses, da Circus Tour, e mostrou também a guitarra de I Love Rock N' Roll, antes usada na Femme Fatale Tour para o cover da Madonna, Burnin' Up.
Contou que Britney tinha medo de pular da árvore de Toxic e que o diretor do show falava que se ela não pulasse, ele subiria e empurraria ela. Isso virou uma piada interna entre eles e decidiram que ela seria, então, puxada de lá.
          No camarim, Fe nos mostrou as roupas do show e contou que eles tem cerca de duas ou três peças iguais para modificações. Contou que a favorita da Britney era um combo camisa amarela + shortinho verde e gravata. Mas, como todo bom fã sabe, ela é a louca das tesouras. Um dia, antes do show, chegou com uma tesoura e cortou fora as mangas da camisa. Alguns dias depois, cortou um pouco mais em baixo, na barriga. Britney cortou tanto a blusa que não conseguiram salvar e tiveram que jogar fora. Ela ficou super chateada e morremos de rir. Fe contou também que Britney SEMPRE muda de opinião faltando horas pro show e inventa uma roupa nova. Assim, ela tem duas costureiras que correm nas lojas de departamento e compram vários tecidos para fazer as roupas ou modificações pro show da noite. Foi assim com a nova capa de Circus. Nosso grupo estava dividido em duas metades. Uma metade estava deslumbrada com tudo e só sorria e observava. A outra metade estava entediada e achando um saco. Gente que não é muito fã, estava ali só pela foto mesmo. Sendo assim, o grupo não falava muito. Me aproveitei disso pra falar o máximo possível e perguntar várias coisas. Pedi pra Fe que me mostrasse o figurino rosa porque é meu favorito. Quando disse isso ela soltou ''Ah que ótimo! Ela voltou a usar essa roupa ontem, você vai vê-la usando esta noite.". Eu estava explodindo por dentro.
          Ao terminar o backstage tour, Felicia nos indicou onde esperar. Teríamos cerca de 15 minutos pra nos preparar para o meet. Nesse intervalo, perguntei qual turnê ela mais gostou de participar e ela disse que da Dream Within a Dream. Que tudo era muito mágico nessa época e ela adorava os elementos embaixo do palco. Britney tinha que deitar em algumas coisas que deslizavam, pra correr de um lado pro outro. Eu disse que essa era minha turnê favorita. Tiramos mais uma foto.



• O meet & greet com Britney Spears
          Enquanto esperávamos, meu squad e eu estávamos sentados conversando sobre o quão mágico e incrível era tudo isso. Eu me sentia muito realizado. É muito louco, é como estar dentro de um dvd que assisti durante anos. Tão acostumado a ver os vídeos e, de repente, estava tudo bem ali na minha frente. Eu estava lá.
          O segurança nos indicou onde Felicia nos aguardava e fomos em direção a porta. Ao chegar lá, um lugar do lado de fora, cerca de mais umas 10 pessoas se juntaram a nós. Mais um grupo para o meet que não havia feito o backstage tour. Fe nos deu as instruções. Disse pra nos prepararmos e ficarmos o mais tranquilos possível. Que Britney era um canalizador de energia. Se chegássemos assustados, iríamos assustá-la. Se chegássemos tímidos, ela ficaria tímida. Disse pra não invadirmos o espaço pessoal dela, mas que poderíamos conversar, abraçar, qualquer coisa que o momento nos proporcionasse e que fosse confortável para ambos. Que não deveríamos nos esquecer de que nós a conhecemos há anos, mas ela não sabia quem éramos então era legal nos apresentarmos também. Que se ficássemos longe dela na foto, eles não usariam photoshop para nos aproximar, então poderíamos sair juntinhos dela contanto que não a deixássemos desconfortável porque ela é bastante tímida. Em seguida, o segurança veio e disse exatamente tudo ao contrário. Que não era pra abraçar, beijar, encostar etc etc. São as medidas de segurança que eles precisam tomar, entendo. Mas sinceramente caguei pra ele. Eu sabia que eu não faria nada sem noção. Depois disso, nos colocaram em fila, éramos 34!
          Já havia combinado com Felipe, Jéssica e Paulo de irmos todos um depois do outro, para ser algo tipo ''Hi, I'm from Brazil!'' ''Hi, I'm from Brazil!'' quatro vezes e representarmos bem hahaha. Fomos os primeiros da fila e eu fiquei depois dos 3. Eu já sabia o que falaria há semanas. Fiquei ensaiando tudo o que eu queria dizer desde o dia em que comprei o ingresso, pois sabia que seria pouco tempo com ela e eu queria me certificar de falar tudo e de não errar no inglês. Planejei um presente muito bacana. Encomendei de um rapaz um chibi, uma espécie de boneco de biscuit, dela de mão dada com os filhos. Tinha certeza que ela ficaria encantada! Mas o rapaz de quem eu encomendei foi de um desleixo total e zero profissionalismo comigo, mesmo sabendo do destino do chibi. Ele não me entregou a tempo, então decidi escrever uma carta e deixar o chibi pra uma próxima oportunidade, quem sabe?
          Felipe tinha uma história pra contar pra Britney, então combinamos que ele seria o primeiro. Em seguida, Jéssica e Paulo. Observei que eles ficaram menos tempo do que eu esperava e temi não poder falar tudo que eu queria. O encontro é feito no palco e nós aguardamos atrás do biombo, então já dá pra ver a sombra dela. Enquanto esperava, perguntei pra Felicia se Britney estava usando algum tipo de fantasia ou adereço - era o último show antes do Halloween. Felicia disse que não, que ela havia usado no ano anterior porque foi exatamente no dia 31. Chegada a minha vez, o segurança fez sinal afirmativo e lá fui eu.
          Ao contornar o biombo e vê-la, travei. Meus primeiros pensamentos foram: ''Nossa, como ela está alta!'', e vi que ela estava usando salto. E "Nossa, como ela está maquiada!''. Os olhos carregados de lápis pretos olhando no fundo dos meus e dizendo ''Hi!''. Caminhei em direção e já cheguei falando:

     - Oi, Britney!  Eu sou de uma cidade pequena no Brasil e é a realização de um sonho muito grande estar aqui hoje. Você também é de uma cidade pequena, então você sabe o quão difícil as coisas são.
     - Eu sei. - ela disse, enquanto colocou a mão no meu ombro. - Estou feliz por você ter conseguido.
          Sorri.
     - Como é seu nome? - ela perguntou, virando a cabeça meio de lado.
     - Johnny.
     - Prazer em te conhecer!
     - Eu te escrevi uma carta e deixei com a Felícia.
     - Ah, okay! Eu vou ler.


          Nessa hora, o fotógrafo disse para tirarmos a foto. Ela me olhou, como se esperando que eu sugerisse uma pose - coisa comum que os fãs fazem no meet. Eu tinha uma pose planejada, mas fiquei tão nervoso que me esqueci. Eu só conseguia olhar pra ela e pensar em como ela era linda e como eu não conseguia acreditar que estava na frente dela. Então coloquei minha mão em volta do ombro dela, abraçando e ela sorriu pra câmera. O fotógrafo disse pra abrir os olhos e então eu dei um apertinho no ombro dela e sorri com todas as forças da minha vida, meio que arregalando os olhos. Nessa hora eu tinha certeza que tinha cagado a minha cara na foto. Depois do clique, ela virou pra mim e disse:

     - Aproveite o show!
     - Obrigado! Eu amo você.

          Ela sorriu e então eu fui saindo, enquanto ela se virou pra receber a próxima pessoa. Pouco antes de chegar no segurança, ainda havia uma última coisa.

     - Britney! - chamei e ela se virou. Os seguranças se viraram pra mim também.
     - Você precisa gravar um clipe pra Change Your Mind, é a melhor música do Glory! - eu disse, enquanto meio que sacodia as mãos no ar.
     - Você é engraçado. - ela sorriu e se virou de novo.

          Nessa hora eu tive certeza de que saí dali levitando porque a sensação era exatamente a de estar caminhando nas nuvens. Eu havia acabado de encontrar, conversar e tirar uma foto com Britney Spears! E ela ainda havia me achado engraçado! Pode-se dizer que zerei a vida? Eu tenho convicção de que sim!
          Ao sair, encontrei meu squad e ficamos conversando. Nos pediram pra esperar depois que todos saíssem para conferirem as fotos e então nos liberarem. Nesse momento, conversamos com outros fãs pra saber como foram as experiências de cada um. Era um mix de sentimentos. Alguns estavam muito felizes, dizendo que ela foi simpática e outros muito decepcionados dizendo que ela foi totalmente apática. Na real, eu acho que isso depende de vários fatores. Depende muito de se o fã planejou algo pra falar, de fato. Se tentou puxar uma conversa ou dizer algo. Depende da energia, depende muito do nervosismo. E, infelizmente, depende também de sorte. Talvez outros meets em outros dias as pessoas tivessem um pouco mais de tempo. Normalmente são cerca de 20 pessoas, no nosso dia eram 34! Fiquei chateado pelas pessoas que ficaram decepcionadas, mas, acho que no fim das contas, minha sensação era a de alívio por ter tido uma ótima experiência.



• O show
          Britney Spears estava on fire! Cheia de energia, empolgada e com excelentes movimentos. É inegável o quanto a residência foi um acerto em sua carreira. Ela não só recuperou sua confiança nos palcos, mas como o fogo no olhar. Eu já havia ido no show dela uma vez no Rio de Janeiro, em 2011, com a Femme Fatale Tour, mas a Piece Of Me é uma experiência surreal! Tanto por ser um espetáculo muitas vezes melhor, pela animação dela no palco quanto por ser, também, um show no exterior. É verdade o que dizem sobre o público brasileiro: não há platéia melhor do que a nossa! As pessoas estavam bastante animadas, mas nada se compara.
          A distribuição dos lugares é marcada por ingresso e são todas cadeiras, exatamente como num teatro normal. Existem, porém, dois Golden Circles localizados entre aos lados da passarela do palco, antes das cadeiras. Lá a galera fica em pé mesmo cada um por si. Foi aonde eu fiquei. Estava no mesmo lado do Paulo, mas me perdi dele quando entramos. Ele ficou bem na grade na ponta esquerda enquanto eu quis ir mais pra perto do meio do palco. Isso do público ser bem mais calmo do que no Brasil foi muito bom pra mim. Existia espaço não só para que eu pudesse respirar, mas dançar, me mover. Tranquilamente. As pessoas ao meu redor dançavam e se comportavam muito de boa, como se estivessem numa balada qualquer. A não ser, claro, quando Britney se aproximava. Todo mundo ia a loucura. Só que eu ia a loucura O SHOW INTEIRO. A americana do meu lado me olhou esquisito rindo enquanto eu pulava e gritava enlouquecido.
          Eu. Tive. A. Melhor. Experiência. Da. Minha. Vida.
          Eu estava tão eufórico que só consegui me emocionar de marejar os olhos em Everytime. É A COISA MAIS LINDA DA VIDA ELA VOANDO VESTIDA DE ANJO ENQUANTO AS FOLHAS CAEM PELO PALCO E PELA PLATÉIA. Catei várias. Baby One More Time e Do You Wanna Come Over seguem sendo minhas performances favoritas do show. mas foi ICONIC ver o break de Toxic na minha cara, sentir o fogo das labaredas do anel de Circus. Que show do CARALHO!
          Ao final, fiz amizade com uma austríaca chamada Stefanie, que estava vestida com a roupa do clipe de Till The World Ends. Ela me deu um copo do bar com a logomarca da Piece Of Me e ficamos conversando. Ela tinha conhecido a Britney no dia anterior e quando disse que havia acabado de conhecê-la ela me abraçou e foi comigo buscar minha foto. Fui em direção ao local marcado por Felicia para retirar o meu kit do merchandising. Ela havia dito que garantiria que eu recebesse e assim fez. Ao me ver de longe, fez sinal pro segurança e pediu que trouxesse uma sacola com as minhas coisas dentro e apontou pra mim. Ele me entregou e eu cheguei sorrindo até ela. Ela colocou a mão no meu ombro e disse ''Sua foto ficou linda!''. Ao me entregar um porta retrato de couro, abri e tinha minha foto revelada de um lado e do outro uma foto promocional. Quase chorei e abracei ela agradecendo pela incrível experiência. Ela ficou muito feliz e disse que era essa satisfação dos fãs que fazia tudo valer a pena pra eles. Disse que eu sou muito fofo. Perguntei se havia espaço pra trabalhar na equipe porque eu não queria ir embora. Ela riu muito e disse que não haveria por um bom tempo. Nos abraçamos de novo e reencontrei meu squad. Tínhamos combinado de ir beber pra comemorar, mas Anna e Sérgio me esperavam e estávamos todos muito cansados.
          Ao encontrar Anna, mostrei minha foto. Choramos abraçados. Encontramos Sérgio, jogamos nuns caça-níqueis e fomos pro carro. Era hora de me despedir de Las Vegas e da noite incrível que passei ali. Na volta durante a madrugada na estrada, chorei pensando no show, na Britney, nas pessoas que conheci, em todas as envolvidas para que isso se realizasse e em tudo que eu estava vivendo. Porta-retrato e coração na mão. Dormi.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Novo bruxo

          Uma curta viagem até o planeta destino marcado há 11 luas atrás. Bono mal podia esperar para rever Mino, enfim. Éden parecia menos rosa estar. Uma tonalidade alaranjada pairava no ar e seu aroma doce cheirava mais amadeirado, com alguns toques metálicos. A atmosfera do planeta havia mudado um tanto e ele logo percebeu que haviam acontecido coisas ali. Talvez fosse uma parte de Éden que Bono ainda não conhecera, mas dificilmente acreditaria nisso. Sua intuição dizia que algo estava acontecendo e foi ficando ansioso pelo encontro com Mino. Na terceira árvore não havia absolutamente nenhum sinal de sua presença. Será que estava adiantado demais? Sua ansiedade não permitia racionalizar a passagem do tempo adequadamente. Deixou sua bolsa, para o caso de Mino vir, e resolveu desbravar um pouco da nova-Éden.
          Algumas horas entre vilas e montes, observou ao longe o que parecia ser uma aldeia. Achou curioso e resolveu se aproximar para conhecer quem quer que pudesse morar por ali. Ao chegar, enfim, caminhou pelas vielas das casas de palha. Pareciam frágeis, mas, se observadas de perto, podia-se notar que eram firmes e até bem estruturadas. Estranhava não ter avistado ninguém ainda. Um vilarejo abandonado, talvez. Ouviu sons vindos de uma cabana próxima a algumas árvores mais adiante. Resolveu espiar.
          Ao chegar na cabana, contornou-a e observou pela janela. Pedaços de cortinas grandes e sujas, meio transparentes, cobriam quase toda a visão. Pôde perceber que havia alguém na casa. Por um breve momento pensou que poderia ser Mino, mas essa ideia logo lhe passou ao ver a figura passar rapidamente pela janela. Não conseguia enxergar direito, porém estremeceu. Tinha um forte sentimento de familiaridade. Como poderia ser se nem ao menos vira seu rosto? Caiu pra trás quando, num repente, a cortina foi puxada rapidamente para o lado, revelando alguém por trás. Seus olhares se cruzaram e Bono ficou tonto ao identificar Vicente. Não o conhecia, mas o andava vendo frequentemente em suas visões confusas. Por entre fugas de trens e seitas, corriam sempre lado a lado fugindo ou resgatando um ao outro de algo. Se encararam pelo que deve ter durado cerca de dez minutos. Vicente tinha uma expressão firme e olhos fundos. Era quase como se tivesse sido sugado para dentro deles durante todo o tempo em que se encararam. A sensação era a de cair pra sempre sem nunca chegar ao chão. Por fim, ele saiu da janela e Bono soltou o ar respirando com força, como se tivesse prendido a respiração durante todo esse tempo.
          Pouco tempo teve de se recompor e logo ao levantar-se viu a porta ao seu lado abrir. Vicente apareceu à porta.

     - Entre. - ele disse. - Parece que temos muito a conversar.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Mil reflexos

          Mil reflexos eram o que se via na parede do seu quarto enquanto estávamos deitados abraçados sob a luz da cidade. Em constante movimento, os prédios, luzes de carros e postes. Os sons altos da vida lá fora eram abafados pelo som da sua respiração no meu ouvido.
          Mil reflexos me faziam pensar em tudo o que já havíamos passado pra chegar até ali. A vida em meio ao caos urbano ainda é um tanto quanto longe do que planejávamos, mas soa até divertida quando dividida com você. Enquanto ajeita meu cabelo, na meia luz seus olhos me dizem que quer ficar. Eu queria que essa noite durasse dias pra te ter só assim durante muito.
          Mil reflexos se apressam a nos dizer que a vida lá fora tá acontecendo e que só olhar o seu sorriso não vai nos dar a vida que estamos correndo atrás. Mas é muito mais gostoso.
          Mil reflexos em movimento sobrepõem o nosso reflexo parado abraçado em observação. O tempo tá correndo e a gente não tá sabendo direito o que tá acontecendo, mas a questão que ecoa no silêncio de olhares e sorrisos no quarto de meia luz amarela é a mesma. Você ainda quer ficar?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Em meio ao caos

          Pegou o que sobrou da minha destruição e juntou na sua pra tentar, assim de um jeito meio torto, me mostrar que tudo bem se dali saísse pelo menos quase um inteiro. Esquisita é a forma como nem obrigação tinha, mas fez questão. Então, saímos pra caminhar. O caos do lugar devastado ao nosso redor parecia até uma ironia do destino, quase uma extensão de nós mesmos. Parecíamos estar levando aquilo aonde quer que fossemos.
          Enquanto caminhávamos, comecei a pensar em como encontrei-o e como chegamos até aqui. Simplesmente nos reconhecemos um no outro. Nos seus olhos pude ver uma dor que incomodava e quis ficar. Não posso sequer imaginar o que o fez querer ficar, mas era grato ao que quer que tivesse passado por sua cabeça. Havia uma certa beleza cruel nessa solidão compartilhada.
          Nos dias mais cinzas não havia comida, mas havia café. Em excesso, revirava o estômago de um. A sensação era a de revirar a vida até que fosse colocada para fora. Quando isso acontecia, o outro estava ali. Mas nenhum dos dois sabia dizer se era a vida ou só mesmo o café. Eventualmente dava pra rir. Deu pra aprender a lidar com as aversões do tempo e a dificuldade em fazer morada em qualquer lugar que fosse.
          Por vezes, quis partir. Certo estava de que minha companhia era mais deprimente do que suportável ou mesmo agradável. As coisas já eram difíceis por si só, não se fazia necessário qualquer agravante. Para ambas as partes. Quando certo de que mais escuridão trazia, ouvi: ''nos seus olhos pude ver a alegria que faltava''. Sorri.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sacred Oasis

          "Eu te amei em segredo desde o primeiro momento", ela me disse. Tudo o que eu conseguia saber era que não deixaria chegar ao fim, alguma maneira de recomeço haveria de haver. Nós já nem sabíamos mais o que estávamos fazendo, afinal, estávamos dançando de mãos atadas. A -falta da- respiração ao encarar o brilho dos seus olhos nessa meia luz mexia com os meus sentidos e eu ficava zonzo a cada movimento mais próximo. O vento sutil me arrepiava os braços até a nuca e eu podia sentir que ele me rodeava como se dançasse conosco. Suas formas pareciam ainda mais belas nesse jogo de luz.
          Ao som dos sintetizadores e das distorções, me distorcia todo junto e não sabia dizer se ainda corria contra o tempo ou se já concluíra meu objetivo antes do cronômetro zerar. As batidas mais intensas afastavam-na de mim e conduzir essa dança talvez fosse a coisa mais difícil que já fiz nesse relacionamento. O perfeito timing entre os passos e o ritmo. Conduzir-nos para outro mundo era parte da mágica sinistra que nos envolvia e eu não sabia dizer o que ela queria dizer com a expressão em seus enormes olhos de amêndoa. Simplesmente não sabia.
          Nela, essa atmosfera parecia libertar. De alguma maneira obscura ela sentia leveza. Isso fazia parte dela e de quem ela era, e de alguma maneira mais sinistra ainda isso me encantava. Fazia parte de tudo o que vinha junto no universo dela. Não haveria beleza maior por aí.
          "Então, baby, poderíamos dançar em meio a uma avalanche?". Mil vezes disse sim. Mil vezes diria.

(first sight, invisible locket)

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Éden

          O planeta rosa claro Bono havia nomeado de Éden. Gostava de andar por lá quando precisava pensar. Pensar nos rumos da vida e da sua nave. Tanto ainda a descobrir, mas qual o sentido do destino final, afinal? Ao repensar nos caminhos da jornada, Bono gostava de sentir o aroma perfumado de Éden. Apesar de não vir necessariamente de flores ou algo assim delicado, os ventos de lá eram definitivamente confortantes. Pensou algumas vezes em fazer moradia, mas não levou muito a desistir. Sua inquietude jamais permitiria, em outrora.
          Mas... e agora?
          Bono pensava que, talvez, não fosse mais preciso viajar tanto. Que talvez pudesse construir algo em algum lugar. E por que não em Éden, então? Pensava que Mino gostaria bastante dali. As vidas singelas e doces. Podia-se dizer que era um lugar realmente romântico. E aí pensava em Mino. Em tudo sobre Mino e em como transformava-se com ele. Que coisa boa terem cruzado seus caminhos e dividirem o mesmo espaço-tempo na galáxia.
          Ao mesmo que a distância em que se encontravam agora, tantos outros lugares a frente de Éden. Destino futuro, talvez.
          Bono paira em Éden. Éden paira em Bono.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

• Abrir • (Memórias) • Não abrir •

       O cair das águas anunciava um novo tempo. As visões, cada vez mais constantes, confundiam os caminhos de Bono e ele já não sabia mais por onde seguir. A nave havia entrado em pane e precisava parar. Há oito luas atrás separara-se de Mino, com encontro marcado para daí a mais três. Jornadas individuais. Agora, perguntava-se como chegaria até lá a tempo. Fora forçado a pousar num pequenino planeta verde escuro e agora precisava arrumar sua nave antes de levantar voo novamente.
          Perguntava-se se o tom escuro do verde dava-se devido a chuva intensa, ou se o tom denso das selvas e do desconhecido já fazia parte do cenário natural do lugar. Enquanto caminhava, em Mino pensava. Eventualmente, pensava sobre o que fazia ele não estar presente em nenhuma das recentes visões que tivera. Bono sempre soube que a maioria delas carecia de interpretação, muitas das vezes não, necessariamente, literal. A grande igreja tomada pela entidade maligna, a seita, o colégio, a fuga. Os metrôs, onibus e carros desgovernados pelas mesmas pistas atrás da moto. Quem era Vicente? Apesar da face conhecida, sabia que era mera assimilação. Ainda não sabia o que isso queria dizer. Um barulho chamou a atenção e ele despertou de seu devaneio. Foi o tempo exato de ver os matos próximos se mexendo, como algo correndo em sua direção. Jogou-se no chão e ao olhar pra cima viu três luzes de tamanho mediano voando em disparada, em frente. Levantou e estava coberto de terra. Repentinamente a chuva parou, mas tudo continuou escuro como noite. Seguiu em direção às luzes, naves poderiam ser.
          Não precisou caminhar muito além para achar o final da floresta e um grande campo aberto. Logo adiante estavam as três naves, pousadas. Sentiu-se vitorioso e esperava que poderiam ajudá-lo a reparar a nave a tempo de encontrar Mino. Porém, o campo e as naves estavam estranhamente silenciosos. Apenas ouvia o som da natureza ao redor. Ao contornar uma das naves da ponta, encontrou um recipiente cilíndrico, de base reta e topo arredondado. Protegia algo em seu interior. O objeto emanava uma luz lilás e acompanhava uma carta. Bono não pôde conter sua curiosidade e estranheza diante daquela situação. Abaixou-se perante ao recipiente e abriu a carta.

"Tudo o que precisa para reparares sua nave é esta pedra. A energia que ela emana fortificará suas peças aos poucos, em curto período de tempo. Após isso, guarde-a. Por vezes se fará necessária. Mas, atenção: é preciso saber usá-la. Essa pedra vem de um planeta nas profundezas da galáxia Thorne e nada facilmente poderá ser substituída se usada de maneira imprudente.
Faça suas escolhas sabiamente e, se tudo correr bem, algo bom sempre existirá além do arco íris."

          Ao terminar de ler, Bono dobrou novamente a carta e olhou fixamente para a pedra. Deve ter ficado assim, imerso em seus pensamentos, por dez minutos, uma hora. É difícil precisar o tempo quando não se sabe onde está e nem como as coisas são medidas nesse lugar. Não era necessário que fizesse sentido. Não mais. Uma das coisas mais valiosas que ele havia aprendido durante sua incrível jornada pelas galáxias era que os mistérios de diferentes povos era uma das coisas mais enriquecedoras que pudera conhecer. Não havia o porque de questionar coisas das quais não entendia ou conhecia. O propósito era muito além disso. Aceitar o propósito das coisas era outra lição valiosa.
          De volta a sua nave, Bono observava onde seria o melhor lugar para que a pedra pudesse agir e se deu conta de que tudo estava devidamente em seu lugar. A pedra não seria necessária. Não seria? O que seria esse lugar verde musgo tão quieto e, ao mesmo tempo, que dizia tanto? Ao ligar a nave, as luzes acenderam e pôde ouvir o toque de Bloodstream. L.A. abriu, sim, as memórias. E então ele soube que estava exatamente aonde deveria estar.